Um polêmico projeto apresentado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) busca declarar o humorista Fábio Porchat como “persona non grata” no estado. A iniciativa, de autoria do deputado Rodrigo Amorim, surge após declarações feitas por Porchat em redes sociais sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Motivação do Projeto
A proposta foi desencadeada por comentários de Fábio Porchat que foram considerados “jocosos” e “desrespeitosos” por Rodrigo Amorim. O deputado afirma que as falas do humorista ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, afetando a honra de Bolsonaro e desrespeitando a liturgia do cargo. Na justificativa, Amorim menciona a necessidade de proteger valores democráticos.
Consequências da Declaração
Embora o projeto de lei não prevê punições diretas contra Porchat, a expressão “persona non grata” é usada como uma manifestação simbólica de reprovação política. Essa ação gerou discussões jurídicas dentro da Alerj, especialmente acerca da constitucionalidade da proposta.
Debate Jurídico na Alerj
A proposta foi analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alerj. O relator, deputado Alexandre Knoploch, deu parecer favorável à constitucionalidade do projeto, que foi aprovado por quatro votos a dois. Os votos adversos, dados pelos deputados Luiz Paulo e Carlos Minc, levantaram questões sobre a adequação jurídica da proposta.
O deputado Luiz Paulo argumentou que a legislação precisa ter caráter geral e não pode se direcionar a uma pessoa específica. Além disso, ele apontou que o uso do termo “persona non grata” pertence ao contexto das relações diplomáticas, o que não se poderia aplicar a uma assembleia estadual. Para ele, se os parlamentares quisessem expressar desaprovação, o caminho mais adequado seria uma moção de repúdio, já prevista no regimento interno da Alerj.
No entanto, com a aprovação da CCJ, o projeto seguirá para discussão em plenário, onde poderá ser debatido e possivelmente votado pelos deputados estaduais. Essa situação reflete a complexidade das relações entre política e comédia, levantando questões sobre liberdade de expressão e limites do discurso político.
A reação a esse projeto pode indicar não apenas a posição dos parlamentares em relação a Porchat, mas também como a sociedade e seus representantes lidam com a crítica, especialmente em tempos polarizados. A aprovação da Constituição Federal que garante liberdade de expressão é um pilar de qualquer democracia e, portanto, questões como essa reverberam amplamente na sociedade.



