Trump não é um negociador confiável para a Ucrânia em crises

Trump não é um negociador confiável para a Ucrânia em crises

O presidente americano, Donald Trump, aparenta ter mudado de postura em relação à Ucrânia, mas essa transformação não deve ser interpretada como definitiva. A avaliação é de Juliano Cortinhas, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), que analisou, ao WW, os encontros recentes de Trump com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em Washington.

Para Cortinhas, o histórico de idas e vindas do republicano compromete sua credibilidade nas negociações internacionais. “Trump é um presidente instável, de um país muito poderoso, e isso gera bastante problema nas relações internacionais, nas relações diplomáticas”, afirmou o especialista, acrescentando que esse comportamento faz com que ele “não se torne um negociador confiável”.

Evolução nas Relações com a Ucrânia

O professor relembrou o episódio anterior em que Trump recebeu Zelensky no Salão Oval de forma hostil, armando uma situação que resultou em críticas públicas ao líder ucraniano diante de toda a mídia. O encontro mais recente, contudo, foi descrito como “muito mais amigável”, com promessas de apoio militar — algo que Trump vinha negando constantemente, em parte por conta de sua boa relação com Vladimir Putin.

Apesar do tom mais positivo, Cortinhas alertou que a posição adotada por Trump pode não se sustentar. Segundo ele, o republicano está sob forte pressão interna, recebendo críticas tanto na política externa quanto na doméstica, e estaria “tentando novas cartadas para ver se consegue ganhar apoio interno”. O especialista ressaltou que isso não garante que Trump permaneça na posição que aparentemente adotou.

Contexto das Negociações e Ações Legislativas

O contexto dos encontros em Washington também incluiu os funerais do senador Lindsey Graham, que faleceu aos 71 anos logo após retornar de mais uma viagem à Ucrânia. Graham era descrito como um elo entre Netanyahu e Zelensky perante Trump, sendo um forte defensor de Israel e da Ucrânia e um crítico declarado do Irã, da Rússia e da China.

Logo após a visita de Zelensky ao Senado americano, foi aprovada a chamada Lei Graham, que estabelece sanções contra países que importam petróleo e gás da Rússia. China e Índia foram citados como alvos principais, mas foi mencionado que o Brasil também pode ser afetado, tendo em vista a importação de diesel russo e fertilizantes.

No campo das relações entre os líderes, foi destacado que tanto Netanyahu quanto Zelensky dependem fortemente da boa vontade de Trump — o primeiro especialmente em função das eleições previstas para outubro, e o segundo para garantir o apoio militar e diplomático necessário à Ucrânia.

Perspectivas Futuras e Análise de Cortinhas

A mudança na postura de Trump em relação à Ucrânia pode ser vista como uma tentativa de fortalecer sua imagem perante o eleitorado, em um momento de desafios internos. Cortinhas destaca que a instabilidade do presidente americano cria uma incerteza que pode impactar diretamente as negociações internacionais, especialmente no que diz respeito ao apoio militar e diplomático que a Ucrânia tanto necessita.

Além disso, a relação com Israel e a questão das imporções de energia russa introduzem uma complexidade adicional no cenário geopolítico que, segundo o professor, precisa ser monitorada de perto. O apoio dos EUA é crucial para governo de Zelensky, e como Trump lidará com essa pressão interna e externa será determinante nos próximos meses.

A conclusão de Cortinhas é clara: Trump poderá ter “mudado a cara” nas interações com a Ucrânia, mas a verdadeira natureza de suas intenções e a consistência de seu apoio ainda permanecem incertas. É vital estar atento a futuras declarações e ações que podem sinalizar um possível retrocesso em sua postura favorável.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.