A Alvo Minerals, uma empresa australiana, anunciou um avanço importante em seus planos de expansão no Brasil ao firmar um contrato para adquirir, em etapas, até 100% da Mata Azul S.A., que opera o projeto de terras raras Bluebush, em Goiás. Esta localização estratégica, situada a aproximadamente 40 quilômetros da mina Serra Verde, recentemente adquirida pela USA Rare Earth, destaca o potencial do projeto.
A Alvo já estava em contato com a Mata Azul desde 2023, quando assinaram um memorando de entendimento para a exploração do Bluebush. Com o novo contrato, anunciado no dia 8 de setembro, a presença da companhia australiana na área é formalizada, cobrindo uma extensão de 9.859 hectares próximos ao granito Serra Dourada, a mesma formação geológica da Serra Verde, reconhecida por ser uma das principais fontes de terras raras pesadas fora da Ásia.
Aquisição Estrutural e Oportunidades
O processo de aquisição será realizado através da Lanta Resources Ltda., uma subsidiária da Alvo no Brasil. A estrutura do contrato permite que a companhia australiana adquira gradualmente participações na Mata Azul, dependendo do progresso nos estudos técnicos do projeto. Na primeira fase, a Alvo poderá obter 51% da empresa ao apresentar uma estimativa inicial de recursos minerais e efetuar um pagamento de US$ 800 mil em até 18 meses. A participação pode aumentar para 80% à medida que mais estudos são concluídos, totalizando até US$ 2,6 milhões nas três primeiras etapas.
A Alvo também possui a opção de adquirir os 20% restantes com um pagamento que será determinado pela avaliação econômica do projeto, limitado a US$ 20 milhões. Essa estratégia de aquisição escalonada permite que a empresa avalie adequadamente o potencial do Bluebush antes de comprometer investimentos substanciais.
Pontos Fortes do Projeto Bluebush
Além da aquisição, a Alvo Minerals divulgou resultados laboratoriais positivos das sondagens realizadas, onde foram encontrados intervalos mineralizados com altas concentrações de disprósio e térbio, elementos cruciais na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho. Um dos furos registrou cinco metros com 1.390 partes por milhão (ppm) de óxidos totais de terras raras, com um intervalo de dois metros apresentando 2.040 ppm.
Esses resultados sinalizam a presença significativa desses elementos no Bluebush, representando, em média, 14,2% dos óxidos de terras raras magnéticas nas amostras analisadas. O disprósio e o térbio ganharam destaque no mercado após a China impor controles mais rigorosos sobre suas exportações, o que enfatiza ainda mais a importância estratégica do projeto.
Sentido Geológico e Próximos Passos
A localização do Bluebush, na mesma formação geológica da Serra Verde, é um dos principais argumentos da Alvo para ressaltar o potencial do empreendimento. O diretor-executivo da Alvo Minerals, Rob Smakman, enfatizou que o projeto apresenta mineralização próxima à superfície e características geológicas semelhantes às da Serra Verde, o que é bastante encorajador para os investidores.
Atualmente, a Alvo já completou 448 furos de sondagem, totalizando 3.708 metros perfurados em Bluebush, e os próximos passos incluem um aumento nos estudos de mineralização nas áreas de Boa Vista, São Bento e Praia. O objetivo é calcular pela primeira vez a quantidade estimada de terras raras no projeto e determinar suas concentrações.
Embora haja avanços significativos, é importante reforçar que o Bluebush ainda está em fase de exploração. A companhia precisa estabelecer a viabilidade econômica do projeto antes de avançar para a próxima fase de produção. Isso inclui determinar a capacidade de recuperação dos recursos e os custos associados à extração, garantindo que a operação seja financeiramente sustentável.
Os sinais atuais de mineralização e a relevância do mercado das terras raras pesadas podem posicionar a Alvo Minerals como uma player chave na indústria brasileira de mineração, especialmente à medida que as demandas globais por esses materiais continuam a crescer.


