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Dólar passa a subir com reação negativa ao reajuste do auxílio

Dólar passa a subir com reação negativa ao reajuste do auxílio

O dólar em alta zerou as perdas e, em seguida, passou a mostrar ganhos em relação ao real nesta manhã de quinta-feira (17), com o mercado reagindo de forma negativa ao anúncio do governo sobre o reajuste do Bolsa Família, que implicará em um impacto fiscal tanto para este ano quanto para o próximo.

Às 11h39, a cotação do dólar à vista subia 0,12%, atingindo R$ 5,1597 na venda.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta manhã um aumento aproximado de 15% nos benefícios do Bolsa Família, que será aplicado já nos pagamentos de outubro, elevando o piso do programa para R$ 691 por família, em comparação aos R$600 vigentes anteriormente.

No anúncio, feito ao lado de Lula, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, revelou que o custo dessa iniciativa será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.

A reação negativa do mercado foi imediata, com o dólar se valorizando frente ao real e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) a longo prazo apresentando alta.

Um operador ouvido pela Reuters destacou o aumento das despesas públicas, que já vivem um cenário de dificuldades em manter o equilíbrio fiscal.

Enquanto isso, o Ibovespa iniciou o dia com uma leve alta nesta quinta-feira (17), com as ações da Embraer e da Vale trazendo suporte ao índice, enquanto os investidores avaliavam uma nova pesquisa eleitoral e a decisão da política monetária do Banco Central anunciada no dia anterior.

Nesse momento, a principal referência do mercado acionário brasileiro apresentava uma queda moderada de 0,32%, com pontuação a 184.951,72.

O anúncio do governo também é mais um fator que poderá influenciar a disputa pela Presidência, em um período em que Lula parece estar perdendo força nas pesquisas de opinião em comparação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Mais cedo, o dólar mantinha-se sob pressão após uma nova pesquisa eleitoral indicar uma leve queda na vantagem de Lula sobre Flávio, mesmo que ambos continuem em um empate técnico.

A recentíssima pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto para o segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual, ambos seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou sua vantagem numérica. Na pesquisa anterior, Flávio tinha 46,4% e Lula 46,2%.

Nas últimas semanas, a crescente força da candidatura de Flávio tem impulsionado o chamado “trade eleitoral”, que se reflete na alta do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs. Isso acontece porque Lula é visto com cautela por uma parcela significativa do mercado, que considera sua reeleição como um obstáculo para o controle das finanças públicas e, consequentemente, da inflação.

Na noite de quarta-feira (16), o Banco Central decidiu reduzir a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 13,75% ao ano, deixando em aberto as direções futuras da política monetária. A decisão foi comunicada à noite, com os mercados já fechados e depois da alta de 25 pontos-base na taxa norte-americana feita pelo Federal Reserve, que agora varia entre 3,75% e 4,00%.

O estreitamento do diferencial de juros — com o BC reduzindo a Selic no Brasil e o Fed aumentando a taxa nos EUA — tende a valorizar o dólar. No entanto, analistas ouvidos pela Reuters nas últimas semanas têm destacado a relevância do “trade eleitoral” como um aspecto fundamental para a valorização das taxas de câmbio. Esse estreitamento já estava de alguma forma precificado pelos mercados, visto que as decisões de juros seguiram as expectativas do mercado.

Ainda nesta quinta-feira, o Datafolha pretende divulgar sua nova pesquisa eleitoral.

No cenário internacional, o petróleo Brent sofreu nova queda nesta manhã, embora permaneça em patamares elevados, em torno de US$ 102 o barril.

Às 11h03, o índice do dólar — que mensura o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — registrava uma baixa de 0,14%, a 100,120.

*Com informações da Reuters 

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