O fechamento do Estreito de Ormuz pode ter consequências devastadoras na economia global. Esse alerta foi dado pelo especialista em investimentos internacionais Beny Fard durante uma entrevista à CNN. Ele destacou que, com a possibilidade de aumento nos preços do petróleo, as implicações se estenderiam além do mercado de combustíveis, afetando diretamente a inflação mundial.
As tensões no Oriente Médio têm o potencial de aumentar o valor do petróleo, o que por sua vez eleva os preços dos combustíveis e impacta o custo de vida. Fard ressaltou que o desafio para a administração de Donald Trump é evitar que o preço do petróleo ultrapasse as expectativas atuais, o que poderia agravar a situação econômica.
O impacto econômico de um fechamento prolongado do estreito se estende a diversas nações. A valorização do dólar, que geralmente ocorre em momentos de incerteza, afeta países emergentes como o Brasil, onde a desvalorização das moedas nacionais pressiona as taxas de juros a longo prazo. “Um fortalecimento do dólar pode desencadear mais recursos para os EUA e impactar negativamente outras economias”, afirmou Fard.
A importância estratégica do Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é vital para o comércio global, especialmente no que diz respeito ao fluxo de petróleo. Um bloqueio desse estreito não atingiria apenas os países vizinhos, mas também afetaria economias que dependem fortemente das importações de commodities. Fard observou que nações como China, Índia e Japão seriam duramente impactadas. Estes países não são autossuficientes em petróleo e dependem significativamente das importações para atender suas demandas.
Além disso, o regime iraniano, que depende da exportação de commodities, também seria prejudicado por um fechamento do estreito. Sua economia é fortemente dependente da movimentação de petróleo por essa rota.
Efeitos no Brasil e na cadeia global
Mesmo distante do conflito, o Brasil não escaparia ileso de um eventual fechamento do Estreito de Ormuz. O país é não apenas um exportador de commodities, mas também depende da importação de insumos essenciais, como fertilizantes, que são cruciais para sua produção agrícola. Fard chamou atenção para a importância dessa dinâmica, sugerindo que o Brasil deve se preparar para os impactos econômicos que uma crise prolongada na região pode trazer.
Por fim, o especialista apontou que a situação revela a fragilidade do modelo de globalização adotado desde os anos 90. Ele destacou que a pandemia já causou rupturas nas cadeias de valor, elevando o custo de capital e gerando um cenário inflacionário inédito em muitos países. “A possibilidade de mais disrupções nas cadeias produtivas é um fator que preocupa a economia global no atual contexto”, concluiu Fard.
