Em 2025, a Kepler Weber se destacou apesar da queda nos indicadores gerais do setor. Com um lucro líquido de R$ 156,3 milhões, a empresa experimentou uma redução de 21,5% em relação ao ano anterior, mas ainda comemorou resultados favoráveis em um contexto de desafios para os produtores e juros elevados.
O quarto trimestre foi particularmente positivo, contribuindo com 41% do lucro líquido anual. Neste período, o lucro alcançou R$ 64,8 milhões, o que representa um crescimento de 28,5% comparado ao mesmo trimestre de 2024.
Apesar da margem líquida ter caído 1,9 ponto percentual para 10,5% no ano, no quarto trimestre, houve um significativo aumento, alcançando 16,2%. O EBITDA totalizou R$ 231,9 milhões em 2025, com uma queda de 29,4% e uma margem de 15,6%, impactada por volumes reduzidos e a menor diluição de custos fixos. No quarto trimestre, o EBITDA foi de R$ 67,5 milhões.
Desempenho Setorial e Retração das Fazendas
A receita líquida somou R$ 1,5 bilhão, refletindo uma retração de 7,3% em relação a 2024, segundo Bernardo Nogueira, CEO da companhia. No entanto, foi o terceiro maior volume de toneladas embarcadas nos últimos dez anos. Para 2025, 84% da receita veio do mercado interno, enquanto 16% foram originados do mercado externo, evidenciando um avanço gradual na diversificação geográfica.
O setor de Fazendas, responsável por 31,5% do faturamento, enfrentou uma queda de 26,4% na receita devido ao endividamento dos produtores e sua relutância em realizar investimentos. Nogueira destacou a dificuldade dos fazendeiros em conseguir crédito, o que tem afetado as margens de venda da Kepler.
Crescimento em Segmentos Internacionais
Enquanto isso, o segmento de Negócios Internacionais teve um crescimento robusto de 19,4%, alcançando a maior receita líquida da história, com R$ 199 milhões. O crescimento no mercado argentino, que registrou um aumento de 16 vezes em relação ao ano anterior, impulsionou a expansão ao lado de países como Bolívia e Paraguai.
A área de Reposição e Serviços, por sua vez, teve uma alta de 10,1%, mostrando estabilidade em receita e margens saudáveis. Nogueira afirmou que a retomada do mercado argentino, somada à execução de projetos maiores, reforça a posição da Kepler Weber na infraestrutura do agronegócio na América do Sul.
Estratégias de Retorno e Perspectivas Futuras
Em 2025, a política de alocação de capital da Kepler Weber foi marcada por um retorno intenso aos acionistas, com a distribuição de R$ 145 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio, resultando em um payout de 92,8%. Mesmo após o pagamento de R$ 50 milhões no quarto trimestre, a empresa encerrou o ano com um caixa líquido equilibrado, após amortizações de dívidas e investimentos de R$ 71,2 milhões.
Para 2026, Nogueira prevê que os produtores continuarão a adotar uma postura cautelosa em relação aos investimentos no primeiro semestre. No entanto, há boas expectativas para o segmento internacional e agroindústria, especialmente com o crescimento do biocombustível de trigo e outros cereais, que podem fomentar a industrialização do setor.