Ambientalistas e agricultores juntos pelo futuro sustentável

Ambientalistas e agricultores juntos pelo futuro sustentável

Durante o evento “O Estado da Implementação Climática”, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (5), especialistas e lideranças políticas destacaram a urgência de superar a histórica oposição entre os setores ambiental e produtivo. A conexão entre agricultura e clima foi enfatizada como um tema essencial para a discussão contemporânea.

A análise central é que a emergência climática não é uma pauta externa ao campo, mas um risco direto à produtividade e à viabilidade econômica do agronegócio brasileiro. A ideia de que o desenvolvimento econômico pode ser separado das questões ambientais está ultrapassada e prejudicial.

Riscos climáticos e a conexão com a produtividade

Especialistas alertaram que as modelagens científicas indicam cenários severos para a produção agrícola global caso a agenda de adaptação não avance. O setor produtivo é um dos mais vulneráveis, com riscos reais de quebras de safra sucessivas que podem comprometer a segurança alimentar e a economia nacional.

Estudos demonstram que a ligação entre os riscos climáticos e a produtividade agrícola será cada vez mais evidente à medida que os eventos climáticos extremos se tornem mais frequentes. A relação entre conexão entre agricultura e clima vai além da teoria: é uma necessidade urgente.

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Eles ressaltam que a adaptação da agricultura é um tema que ainda carece de maior profundidade nas discussões públicas, mas que é vital para enfrentar o “novo normal” de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas. Essa adaptação não é apenas uma resposta a desafios, mas uma oportunidade para inovação no setor.

Incentivos à transformação sustentável

O Brasil tem trabalhado para que a agenda ambiental seja transversal, como o Plano Safra, que é um exemplo de implementação prática. Atualmente, o plano já inclui medidas voltadas para a agricultura de baixo carbono, oferecendo inclusive redutores de juros para produtores que adotam boas práticas sustentáveis. Essa transformação torna necessária a conexão entre agricultura e clima, promovendo a integração das duas áreas.

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Dados apontam que 99% dos produtores brasileiros não são desmatadores, com apenas cerca de 1% agindo fora da lei. No entanto, esse pequeno grupo acaba prejudicando a imagem de todo o setor, o que pode resultar em taxações internacionais que afetariam bilhões de dólares na economia. A necessidade de um discurso unificado sobre a conexão entre agricultura e clima se torna mais clara nesse contexto de riscos.

Para especialistas, o uso da terra e a preservação dos recursos básicos são fundamentais para um projeto de país sustentabilista e competitivo. “Qual é o nosso caminho comum em termos de linguagem e posicionamento? (…) Para que consigamos fazer essa grande imagem e mosaico da crise climática”, pondera Andreia Coutinho, do Centro Brasileiro de Justiça Climática.

Competitividade e o futuro sustentável

A integração das agendas é vista como uma estratégia de soberania econômica. O Brasil enfrenta pressões internacionais e barreiras tarifárias relacionadas ao cumprimento de metas ambientais. O desafio atual é garantir que a conexão entre agricultura e clima não só fomente a produção sustentável, mas também mantenha a competitividade do setor no mercado global.

A implementação de um modelo de desenvolvimento sustentável é vista como a base para o Plano de Transformação Ecológica, que busca atrair investimentos e garantir que o agronegócio continue competitivo e resiliente. A agenda ambiental deve ser incorporada nas práticas cotidianas dos produtores para que haja resultado efetivo.

“A gente precisa compreender quais são as reais necessidades demandadas pela sociedade, seja por um recorte que envolva o uso da terra, ou as questões de energia. Precisamos pensar em governança climática como um todo”, afirma Carmynie Xavier, porta-voz do Instituto Clima e Sociedade.

Para os especialistas, a eficácia da COP 30, que ocorreu no Brasil, depende da capacidade do país de demonstrar que a preservação dos biomas e a produção de alimentos são eixos complementares de um mesmo projeto de país. É nesse espaço que a conexão entre agricultura e clima assume seu papel central, sinalizando uma nova era de entendimento e colaboração entre os setores envolvidos.