Boa Vista News

‘Caixa-preta’ de helicóptero que matou Rick e detalhes faltantes

O CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) divulgou, nesta quinta-feira (22), o relatório inicial sobre a queda do helicóptero que transportava o cantor sertanejo Rick, da dupla com Renner, em Urubici, Santa Catarina, no dia 21 de setembro de 2026. O documento trouxe detalhes que despertaram a atenção das autoridades e do público. Entre as revelações mais impactantes, destaca-se a ausência de gravação de voz do voo no dia do acidente.

O relatório aponta que o gravador de voz da cabine do helicóptero, conhecido como ‘caixa preta’, não tinha registro de voz do voo no dia do acidente. O equipamento Cockpit Voice Recorder (CVR), encontrado na aeronave, tinha somente diálogos relacionados a uma manutenção realizada em data ainda não identificada. Essa informação levanta questionamentos sobre os procedimentos de verificação e seguimento padrão antes do voo.

Ainda no documento apresentado, foi ressaltado que o manual do gravador previu a realização de um teste de funcionamento antes do primeiro voo do dia, um não realizado que poderá ter contribuído para a tragédia. A ausência desse procedimento na lista de verificações encontrada junto à aeronave é um ponto crítico para as investigações em curso.

Dados da Aeronave

O helicóptero, modelo 430, foi fabricado pela Bell Helicopter em 2001. De acordo com informações do relatório, a aeronave estava autorizada a realizar voos privados, possuía o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido e os registros de manutenção estavam em dia. Isso configura um cenário onde a segurança da aeronave aparentava estar em conformidade com as exigências necessárias para a operação.

Circunstâncias da Queda

Conforme o arquivo da CENIPA, o helicóptero colidiu contra a encosta norte do Morro Convento dos Padres, na Serra da Boa Vista, a aproximadamente 1.686 metros de altitude. O cume do morro possui uma elevação de 1.790 metros, o que sugere que a aeronave se aproximava da montanha em condições possivelmente desfavoráveis. Em relação às condições meteorológicas, a carta consultada indicava um sistema frontal atuando sobre a região Sul do Brasil, resultando em nebulosidade e áreas de precipitação.

Câmeras de segurança do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo do Morro da Igreja, com localização a cerca de oito quilômetros do acidente, mostraram imagens da paisagem encoberta no momento. As análises do CENIPA indicaram que as condições de nuvens contribuíram para a redução da visibilidade durante o voo, o que pode ter favorecido a colisão.

Desdobramentos das Investigações

Durante a análise do local do acidente, foram encontrados celulares, uma câmera fotográfica e tablets, todos sob a responsabilidade da Polícia Científica de Santa Catarina. A equipe do CENIPA está colaborando com as autoridades para acessar dados após a extração das informações destes dispositivos. Essa fase é crucial para entender melhor os eventos que antecederam a queda.

As investigações continuam e, até o momento, nenhuma hipótese foi descartada. Exames e análises complementares estão em andamento para identificar possíveis fatores contribuintes para o acidente, incluindo aspectos humanos, materiais e operacionais, além de outros fatores como a manutenção, o desempenho técnico, as condições médicas e os fatores psicológicos dos envolvidos.

A Força Aérea Brasileira (FAB) anunciou que a investigação da ocorrência envolvendo a aeronave de matrícula PP-MGR está em andamento. O objetivo das autoridades é elucidar todas as circunstâncias que levaram ao acidente e, assim, evitar que tragédias semelhantes ocorram no futuro.

*Sob supervisão de Thiago Félix

Sair da versão mobile