Uma expedição recente a uma ilha remota no Pacífico Sul, em busca de destroços do avião desaparecido de Amelia Earhart, não obteve resultados. Os pesquisadores informaram que não encontraram nenhuma evidência conclusiva de que a célebre aviadora tenha pousado sua aeronave — um Lockheed 10E Electra — no pequeno atol, ou nas proximidades dele, que fica ao sul da rota original do seu fatídico voo, ocorrido há quase 90 anos.
A expedição ao local, a ilha de Nikumaroro, foi uma iniciativa conjunta liderada pelo Archaeological Legacy Institute, situado em Eugene, no Oregon, e pela Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana. A equipe, composta por 17 pesquisadores e técnicos, chegou à ilha no dia 12 de outubro.
O objetivo principal era examinar um objeto de contornos indefinidos, conhecido como “Objeto Taraia”, localizado em uma lagoa e detectado pela primeira vez em imagens de satélite em 2020. O arqueólogo Rick Pettigrew, líder da equipe, acreditava que a figura — que apresentava um formato semelhante ao de um avião — seria um destroço da aeronave de Earhart. No entanto, a expedição não encontrou evidências que confirmassem a presença de destroços da aeronave.
As evidências coletadas em Nikumaroro indicaram que a anomalia visual, observada em imagens de satélite, era provavelmente um conjunto de árvores de grande porte depositadas ao longo da faixa de areia da península. Quando a equipe chegou ao local, boa parte dos detritos já havia se fragmentado e sido levada pela água, segundo o comunicado da Universidade Purdue.
“As evidências que sustentam a hipótese do náufrago, a qual nos trouxe até aqui, continuam sendo muito sólidas”, afirmou Pettigrew em um depoimento em vídeo. “Acreditamos ser muito provável que Amelia e seu navegador, Fred Noonan, tenham ido parar aqui, na ilha de Nikumaroro.” Steve Schultz, consultor jurídico e assistente de campo da Purdue, comentou que, embora os pesquisadores tenham descartado a hipótese, isso “não diminui a força dos argumentos a favor da hipótese do náufrago”.
O desaparecer de Amelia Earhart
Amelia Earhart e Fred Noonan desapareceram em 2 de julho de 1937, durante uma tentativa ousada de se tornar a primeira mulher a dar a volta ao mundo em um voo. A dupla foi vista pela última vez decolando de Lae, Papua Nova Guiné, em uma jornada de 18 horas rumo à Ilha Howland. O desaparecimento de Earhart é um dos mistérios mais fascinantes da história da aviação, com historiadores e pesquisadores debatendo como e onde ela desapareceu.
A correntes de pensamento mais aceita sugere que o combustível de Earhart e Noonan acabou e que a aeronave Electra caiu no Pacífico, perto do destino pretendido. Contudo, outros, como os líderes da expedição mais recente, suspeitam que eles pousaram o avião em Nikumaroro ou nas proximidades e se tornaram náufragos, provavelmente vindo a falecer de sede ou fome.
A busca em Nikumaroro
Esforços anteriores para encontrar o avião de Earhart, incluindo outras buscas em torno de Nikumaroro, não revelaram novos dados. Segundo Dorothy Cochrane, especialista em Amelia Earhart e curadora aposentada do Museu Nacional do Ar e do Espaço do Smithsonian, a ilha já foi alvo de buscas mais de 15 vezes, sem sucesso. Ela comentou que a expedição mais recente é apenas mais um exemplo de um grupo que não conseguiu encontrar evidência concreta do Electra ou de Amelia e Noonan na ilha.
Em 2024, a empresa de exploração oceânica Deep Sea Vision detectou uma forma semelhante a uma aeronave no oceano, a cerca de 160 quilômetros de Howland; no entanto, essa figura foi identificada como um conjunto de rochas. Uma expedição realizada em 2019, liderada pelo oceanógrafo Bob Ballard, que encontrou o Titanic em 1985, também terminou sem resultado. Os pesquisadores da busca mais recente informaram que utilizaram um magnetômetro e tecnologia de sonar para procurar objetos sob o sedimento da lagoa em Nikumaroro.
“Alcançamos nosso objetivo principal, que era vir até aqui e testar essa hipótese”, disse Pettigrew em seu depoimento em vídeo. Nikumaroro, que hoje faz parte da República de Kiribati, é uma ilha desabitada no Pacífico Sul, cercada por um recife de coral e habitada por enormes caranguejos-dos-coqueiros. A equipe levou cinco dias para chegar ao local, partindo de Tarawa, a capital de Kiribati.
A Purdue Research Foundation financiou originalmente o Lockheed Electra de Earhart. A intenção de Earhart era que a aeronave fosse devolvida à Purdue após a conclusão de seu voo histórico. Quando desapareceu, Earhart já havia percorrido 35.405 quilômetros, restando 11.265 a percorrer. É improvável que a busca pela aeronave de Earhart termine aqui; a empresa de exploração em águas profundas Nauticos está tentando arrecadar entre 8 e 10 milhões de dólares para financiar uma expedição definitiva ao redor da Ilha Howland, com base em novas informações obtidas de experimentos que utilizaram uma réplica do sistema de rádio de Earhart. Desde 2002, a empresa já realizou três buscas na região próxima à ilha.
