A perspectiva de uma colheita de safra recorde mantém os preços de transporte agrícola em patamares elevados nas rotas mais importantes do Brasil. De acordo com a edição de junho do Boletim Logístico, publicada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o mercado de fretes rodoviários continua aquecido mesmo com a finalização do pico da colheita da soja, um dos principais produtos da primeira safra.
O superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, esclarece que, apesar da previsão de queda nos preços devido à diminuição da demanda pelo escoamento das culturas da primeira safra, a manutenção dos preços em níveis elevados é notável. Isso é especialmente acentuado pela produção recorde de soja, que teve um aumento significativo de 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, criando uma demanda constante por transporte rodoviário.
Variações nos Preços de Frete
Em Mato Grosso, o principal estado produtor de grãos, as variações de preços foram mínimas em relação ao mês anterior, com oscilações quase nulas, apontando para uma estabilidade. Os valores praticados continuam elevados, mantendo-se em patamares semelhantes aos registrados no auge da safra, entre fevereiro e março. No estado, a dinâmica do frete rodoviário se ajusta às exigências do mercado, refletindo um panorama robusto.
No Mato Grosso do Sul, por sua vez, a pressão logística permanece forte. Mesmo com a sazonalidade que normalmente afeta os volumes de frete após a colheita da safra de verão, a demanda por transporte rodoviário de grãos sustenta os preços. O fluxo contínuo de escoamento e a manutenção das negociações externas contribuem para esta dinâmica.
Comportamento de Preços no Distrito Federal e Maranhão
Enquanto isso, no Distrito Federal, os preços do frete agrícola registraram uma alta moderada em maio, impulsionados principalmente pelo custo elevado do diesel e pelo escoamento em andamento da safra de soja e milho. A Conab também notou um aumento nos preços nas análises realizadas no Maranhão, onde a colheita de soja atingiu 92% da área cultivada em maio. O milho apresentou 27% de área colhida, contribuindo para um cenário de pressão logística, com escoamento rodoviário e ferroviário concentrando-se no Porto do Itaqui.
No Paraná, a logística de fretes também mostrou variações pontuais em relação a abril, o que mantém a pressão sobre os custos nas rotas específicas. Essa situação é influenciada pela alta do óleo diesel S-10, que apresenta uma média de R$ 6,38 por litro, e pela concentração da demanda na infraestrutura de transporte rodoviário.
Desempenho Logístico em Goiás e Bahia
Em Goiás e na Bahia, um arrefecimento na demanda e na movimentação de fretes é evidente em maio. Essa desaceleração está ligada ao término da safra de soja e ao período de entressafra, que antecede o ingresso do milho de segunda safra no mercado. A situação é semelhante no Piauí, onde se observou uma queda nos preços praticados, reflexo da diminuição nas exportações de soja, com um volume 22% menor do que em meses anteriores.
As praças pesquisadas em São Paulo também registraram uma baixa nos preços de frete após altas no início do ano. Fatores como a redução dos custos do diesel e a diminuição da demanda industrial, em um cenário de agronegócio ainda aquecido, contribuem para essa alteração nos valores.
Exportações e Impacto nas Importações de Fertilizantes
Os embarques de milho até maio deste ano alcançaram 7,5 milhões de toneladas, comparado aos 6,1 milhões no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A concentração dos embarques foi notável, com 33,5% ocorrendo pelos portos do Arco Norte, 26,5% pelo Porto de Santos, 9,6% pelo porto de Paranaguá e 19,5% pelo Rio Grande.
As exportações de soja também foram expressivas, totalizando 55,1 milhões de toneladas até maio, com os portos do Arco Norte liderando com 38,5% do volume total. Santos e Paranaguá respectivamente contribuíram com 36,8% e 14,2% do montante nacional.
A questão da internalização de fertilizantes também merece destaque. Após a estabilização em 2022, as compras brasileiras em maio foram as menores desde então. Apesar das oportunidades com a ampliação da oferta de commodities, os altos custos dos insumos, a insegurança em relação aos desdobramentos no Oriente Médio e as previsões do fenômeno climático El Niño representam riscos significativos para as safras em todo o mundo.
No total, as importações de fertilizantes entre janeiro e maio de 2026 chegaram a 15,05 milhões de toneladas, ligeiramente inferiores aos 15,27 milhões do ano anterior. Esses fatores contribuem para a complexidade do cenário agrícola e logístico do Brasil, com impactos diretos nas operações de frete rodoviário, que permanecem em alta na maioria das regiões.
