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Medidores inteligentes e sensores: a estratégia da Âmbar para enfrentar perdas de energia no Amazonas

Medidor digital de energia elétrica instalado em parede

Medidor digital de energia | Foto: 277volts (CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons)

Quase metade da energia que entra na rede de distribuição do Amazonas não vira conta paga. A estimativa, feita por empresários, é de que cerca de 44% da eletricidade injetada não seja faturada, principalmente por causa de desvios e ligações clandestinas. Enfrentar esse problema é um dos objetivos da modernização tecnológica que a Âmbar Energia pretende fazer na rede do Estado.

A empresa anunciou R$ 5,5 bilhões em investimentos até 2031, dos quais R$ 3,9 bilhões são recursos próprios. A diferença deve ser coberta por verbas federais de programas como o Luz para Todos e de projetos de interligação.

O plano mistura obras pesadas e tecnologia. De um lado, cabos antigos serão trocados por cabos concêntricos revestidos, circuitos serão ampliados e revitalizados e subestações serão construídas ou ampliadas. De outro, entram sistemas de monitoramento, digitalização e medidores inteligentes, elementos do que o setor chama de Energia 4.0.

Os medidores inteligentes são peça-chave contra as chamadas perdas não técnicas, que englobam fraudes, gatos e falhas de medição. Por registrarem muito mais informações do que os medidores comuns, eles permitem à concessionária perceber alterações de carga, comparar padrões de consumo e localizar anomalias. A Âmbar quer usar esses dados junto com a modernização da rede e com ações de regularização.

O cliente também pode se beneficiar, com acesso a informações mais detalhadas sobre o próprio consumo de energia.

A lógica da Energia 4.0 é fazer a rede, além de transportar eletricidade, gerar dados sobre si mesma. Numa rede comum, muitas falhas só são notadas depois da reclamação do consumidor. Com sensores e equipamentos conectados, variações de tensão, sobrecargas e quedas podem ser identificadas e localizadas com mais rapidez.

Nada disso dispensa a infraestrutura física. Uma rede digital precisa de postes, cabos, transformadores e subestações em bom estado. Por isso, não basta reforçar um circuito: é preciso saber como ele está funcionando, onde está mais sobrecarregado e quando um equipamento vai precisar de manutenção.

A capacidade de prever gargalos é outro trunfo. Em Manacapuru, a Âmbar instalou uma termelétrica de 5 MW para reforçar o atendimento no horário de maior demanda. Essa solução emergencial pode ser combinada com investimentos permanentes e com monitoramento, ajudando a planejar a rede para o aumento do consumo.

No interior, os desafios seguem bem conhecidos. Em Humaitá, há substituição de postes e cruzetas, reforço de 34 quilômetros de rede e limpeza da vegetação perto da fiação. São tarefas simples, mas essenciais para a qualidade do fornecimento, e mostram que a tecnologia chega para somar a uma rede que ainda precisa ser reconstruída.

Em um Estado de longas distâncias e comunidades isoladas, informação precisa significa equipes enviadas diretamente ao local do problema, além de um retrato mais claro das interrupções e de onde investir primeiro.

Quadro explicativo: da eletrificação à Energia 4.0

Energia 1.0 | Eletrificação
Produzir eletricidade e erguer as redes para fazê-la chegar aos consumidores era o principal desafio.

Energia 2.0 | Expansão e escala
Usinas de grande porte e sistemas de transmissão e distribuição ampliam o acesso e a capacidade.

Energia 3.0 | Automação
Informática, telecomunicações, controle à distância e sistemas automáticos entram na operação.

Energia 4.0 | Inteligência e conectividade
Sensores, medidores inteligentes, internet das coisas, análise de dados, inteligência artificial e redes inteligentes ampliam a informação sobre o sistema.

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