A defesa de Daniel Vorcaro está avaliando cuidadosamente o novo cenário jurídico após a mudança de relatoria do caso no STF, que agora está com Edson Fachin. De acordo com a analista de Política Clarissa Oliveira, a equipe do ex-banqueiro está “testando o terreno” e tentando entender exatamente onde está pisando.
“O jogo ali tende a ser muito diferente com o ministro Fachin do que estava ocorrendo com o ministro André Mendonça”, destacou Clarissa durante o Live CNN desta sexta-feira (18). A troca de relatoria impõe um recomeço significativo para a estratégia da defesa. Clarissa lembrou que toda uma reestruturação foi feita na equipe jurídica de Vorcaro, com a contratação do criminalista Daniel Bialski.
Parte importante dessa contratação estava ligada à boa relação que Bialski mantinha historicamente com André Mendonça. “Os dois já tinham trabalhado em outros casos conjuntamente no passado, já mantinham um diálogo muito positivo”, explicou a analista. Além disso, havia tensões entre Mendonça e o antigo advogado de Vorcaro, José Luiz de Oliveira Lima, conhecido como Juca, e esse atrito pesou na decisão de mudar a defesa.
Com a chegada de Fachin à relatoria, esse capital de relacionamento se perde. “O jogo não volta à estaca zero, mas regride bastante no que se refere ao diálogo com o ministro Fachin”, afirmou Clarissa. O momento é ainda mais delicado pelo cenário externo. Clarissa destacou que tudo está ocorrendo em meio a uma crise no STF, que tem o caso Master como “grande estopim”, o que intensifica os holofotes sobre todas as negociações envolvendo Vorcaro.
Nesta sexta-feira, os advogados do banqueiro reiteraram a Edson Fachin o pedido de revisão da prisão preventiva de Vorcaro, utilizando a solicitação como um primeiro termômetro para compreender a postura do novo relator. “Ele poderia ser mantido em domiciliar, com medidas cautelares? Isso tudo dá um termômetro e ajuda a defesa a definir os próximos passos”, destacou Clarissa.
Novas estratégias jurídicas
Além disso, os desdobramentos acontecem durante uma corrida eleitoral, o que, segundo a analista, amplia ainda mais a exposição do caso. “Na medida em que tudo que aconteceu em volta dele serve para ser estatelado no noticiário como munição para uma corrida presidencial, ele também fica numa condição extremamente exposta”, afirmou. A analista também levantou um questionamento feito pelos próprios advogados de Vorcaro: “Se o caso não estivesse tão no centro do noticiário, o banqueiro ainda estaria em prisão preventiva ou já teria sido transferido para prisão domiciliar?” Essa reflexão, segundo ela, faz parte do raciocínio da defesa ao traçar seus próximos passos.
Reestruturação da defesa
Outro ponto em aberto é a possibilidade de uma delação premiada. Clarissa ponderou que, considerando o histórico de retenção de informações de Daniel Vorcaro e o volume de informações que já veio a público, sustentar uma delação “parece pouco provável“. A analista mencionou ainda que a própria Polícia Federal já havia avaliado anteriormente que Vorcaro não teria muito mais a revelar, embora informações continuem surgindo. “Tem toda uma linha de defesa que precisa ser redesenhada de acordo com o perfil do relator e de acordo com as circunstâncias”, afirmou.
Clarissa também mencionou o caso do pai de Daniel Vorcaro, sobre quem havia, segundo os advogados, grande discussão quanto ao tempo em que permaneceu em prisão preventiva. Do ponto de vista jurídico, o argumento da defesa era de que o pai estaria sendo usado como ferramenta de pressão sobre o banqueiro. Segundo Clarissa, a resposta de Fachin ao pedido de revisão da prisão será, portanto, o primeiro sinal concreto sobre como o novo relator conduzirá o caso.
