A recente movimentação no Senado acerca da política nacional para minerais críticos pegou de surpresa tanto representantes do setor privado quanto deputados e mineradoras que acompanhavam o projeto. A proposta do senador Wilder Morais, que busca avançar com um substitutivo ao texto aprovado pela Câmara, traz significativas mudanças que afetam o setor e a negociação em curso.
Mudanças na Proposta de Minerais Críticos
O novo substitutivo apresentado por Wilder Morais foi incluído como prioridade na pauta da CI (Comissão de Serviços de Infraestrutura). Apesar de se basear em muitos pontos já discutidos, o substitutivo abandona algumas diretrizes essenciais do PL 2.780/2024, aprovado pela Câmara. Em vez de permitir a homologação das operações envolvendo minerais críticos, a proposta altera para “registro e acompanhamento”, um movimento que sinaliza uma possível desburocratização na relação entre o governo e o setor privado.
Um dos principais focos das mineradoras e das entidades do setor era resolver a questão da homologação, um mecanismo que poderia exigir aprovações formais para mudanças significativas. O novo texto reduz o foco na exigência critica da chancela do conselho e da ANM (Agência Nacional de Mineração). No entanto, a atuação do governo continua a representar um papel fundamental na supervisão das operações, especialmente aquelas com implicações econômicas ou geopolíticas.
Aspectos Relevantes do Substitutivo
Além da alteração na homologação, o substitutivo de Wilder também modifica outras cláusulas importantes. Por exemplo, o prazo de dez anos para a pesquisa mineral, que obrigaria as empresas a apresentarem relatórios finais, foi retirado. Com isso, o controle sobre a caducidade do direito minerário se torna menos rígido. Também foram eliminadas regras que permitiriam ao governo impor requisitos técnicos exigentes vinculados à exportação de minerais críticos.
Outra mudança significativa diz respeito ao acompanhamento de contratos internacionais. Embora o governo possa exercer certo controle, isso agora se limita a contrapartidas específicas aos programas de incentivos. Essa modificação é vista pelas mineradoras como uma oportunidade de maior flexibilidade nas suas operações enquanto mantém um elo responsável com o governo.
Por outro lado, a criação de ZPTM (Zonas de Processamento de Transformação Mineral) poderá oferecer incentivos regionais para estimular o desenvolvimento econômico nas áreas com relevantes atividades minerais, priorizando projetos que se instalarem nessas zonas.
Disputa entre Câmara e Senado pela Liderança
A situação atual é também uma luta de poder entre a Câmara e o Senado. O projeto de Renan Calheiros, que circula com caráter terminativo na CI, pode se transformar numa peça central, visto que se aprovado, avança diretamente para a Câmara. Diferentemente do que acontece com a proposta da Câmara, que requer que o Senado altere o texto e o retorne para os deputados. Essa dinâmica legislativa reflete a análise de que o Senado está buscando ampliar sua influência nas decisões sobre a política de minerais críticos.
A tentativa de Wilder de avançar com sua própria versão do projeto demonstra não apenas um desejo de liderar as discussões, mas também um interesse estratégico por parte do Senado em ser a casa que encerrará as discussões em torno do assunto. A atuação de um substitutivo na CI pode potencialmente reconfigurar as diretrizes de minerais críticos e de como isso impacta o setor de mineração no Brasil.
O fato de o parecer não detalhar completamente quais operações estarão sob controle e as informações exigidas do setor revela que ainda há um espaço considerável para interpretações e regulamentações posteriores. Isso proporciona aos senadores a capacidade de decidir a extensão da atuação do conselho responsável por gerir os minerais críticos no país.
Afinal, a proposta busca equilibrar a necessidade de controle governamental sobre operações consideradas estratégicas e a liberdade das mineradoras para operar de forma que otimize seus lucros e inovações. A medida em que os debates avançarem, serão necessárias análises detalhadas das implicações econômicas e regulatórias da nova política de minerais críticos que pode surgir de todo esse processo.
Assim, tanto o setor privado quanto os legisladores devem estar atentos às mudanças que estão sendo propostas e ao desenrolar desta disputa legislativa, que certamente moldará o futuro do setor mineral no Brasil.

