Tabagismo segue em queda no Brasil, mas metas para 2030 ameaçadas

Tabagismo segue em queda no Brasil, mas metas para 2030 ameaçadas

O hábito de fumar no Brasil evoluiu bastante ao longo das últimas décadas, especialmente desde 1986, quando o país começou a implementar políticas de controle do tabaco. Antes disso, fumar era visto como um sinal de elegância e modernidade, comum em ambientes sociais e até mesmo ao redor de crianças. No entanto, com o aumento das evidências sobre os danos à saúde associados ao tabagismo, as atitudes começaram a mudar.

Dados de 2007 revelam que, em 1989, 34,8% da população adulta brasileira era fumante. Esse número vem diminuindo com o tempo, mostrando que o Brasil se destaca em políticas de controle do tabaco. Apesar da queda contínua, a redução na taxa de fumantes desacelerou nos últimos anos. Entre 2006 e 2023, a prevalência de tabagismo caiu de 15,7% para 9,3%, uma taxa média de redução de 3,3% ao ano.

Tendências recentes do tabagismo

Ainda que a propagação do tabagismo tenha desacelerado, fatores como instabilidade política e crises econômicas nas décadas recentes impactaram o financiamento de políticas de saúde, comprometendo os esforços de combate ao tabagismo. Além disso, o congelamento dos preços dos cigarros e a popularização de novos dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes e unguentos, agravam o cenário. Esses novos produtos atraem especialmente o público jovem, que busca alternativas consideradas menos prejudiciais.

Um estudo relevante de 2022 destaca que o uso de tabaco entre adolescentes cresceu de 10,4% para 14,8% entre 2015 e 2019, com um aumento significativo no uso de cigarros eletrônicos. Essa mudança introduz desafios para as campanhas de prevenção, que até então se concentravam nas formas convencionais de tabagismo.

Os riscos associados ao tabagismo

A saúde pública enfrenta riscos elevados, caso a meta de 2030 de redução do tabagismo não seja atingida. O tabaco é responsável por inúmeras doenças graves, como câncer e doenças pulmonares crônicas. O Instituto Nacional de Câncer reportou mais de 161 mil mortes no Brasil em 2020 decorrentes do tabagismo. Além disso, os problemas não se limitam aos fumantes, pois o fumo passivo também impõe riscos à saúde de não fumantes.

Reforço nas políticas de controle

Para enfrentar a desaceleração nas taxas de tabagismo, é vital reforçar as campanhas públicas de saúde, além de realizar uma fiscalização rigorosa e manter as proibições em vigor. Combater o contrabando de produtos de tabaco e realizar uma revisão nos impostos sobre estes produtos são ações prioritárias. O Sistema Único de Saúde também está preparado para oferecer suporte gratuito a quem deseja abandonar o tabaco, disponibilizando tratamentos abrangentes que incluem apoio psicológico.