Além dos recordes: os desafios da infraestrutura no Brasil

Além dos recordes: os desafios da infraestrutura no Brasil

O Brasil alcança um novo marco em investimentos em infraestrutura com recordes em 2025. De acordo com um levantamento da ABDIB junto à EY-Parthenon, os investimentos totalizaram R$ 280 bilhões, sendo que 84% desses valores vieram do setor privado.

Nos últimos três anos, entre 2023 e 2025, os investimentos totais superaram R$ 788 bilhões, o que representa um aumento significativo em relação aos R$ 518 bilhões aplicados entre 2019 e 2021. Esse crescimento de R$ 270 bilhões é expressivo, numa taxa de 52%.

No setor de transportes e logística, que se destaca neste ciclo, os números também falam por si: R$ 201,4 bilhões foram investidos recentemente, comparado a R$ 102,01 bilhões dos anos anteriores, resultando em um aumento de 97%.

Desafios na Infraestrutura Brasileira

Apesar dos avanços, o diagnóstico obtido no Raio-X do Setor de Infraestrutura Brasileiro, realizado pela Firjan, aponta que, em 2024, a taxa de investimento em relação ao PIB foi de apenas 2,22%, abaixo da taxa de depreciação da infraestrutura já existente. Para alinharmos com outros países emergentes, que frequentemente investem entre 4% e 5% do PIB em infraestrutura, é evidente que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer.

Os impactos de uma infraestrutura bem planejada vão além do visível; redes de saneamento ajudam a evitar doenças, a energia impulsiona a produção, e a conectividade transforma vidas. Entretanto, os desafios estruturais precisam ser discutidos reiteradamente.

A Importância do Planejamento Político

Planejar é uma escolha política que exige a definição de prioridades. O Novo PAC busca estruturar um portfólio de projetos que empolga, mas a distância entre a prioridade definida e sua execução ainda é grande. Os projetos devem transcender mudanças de governo para serem efetivos. A mudança constante de governantes pode prejudicar a continuidade e qualidade dos projetos, resultando em perdas significativas.

Para que um projeto se torne realidade, deve-se considerar como ele será estruturado. Não há um modelo único; a estruturação pode ser conduzida por diferentes entidades, tais como o poder público, agentes privados ou bancos de desenvolvimento. Cada arranjo tem suas próprias implicações em termos de tempo, modelo de contrato e interesses diversos.

Segurança Jurídica e Sustentabilidade

Os contratos de infraestrutura, por serem de longa duração, necessitam de segurança jurídica robusta que ultrapasse as mudanças de governo e de prioridades. Dadas as incertezas econômicas e eventos imprevisíveis, as matrizes de risco precisam ser adaptadas constantemente.

A questão climática não pode ser ignorada. O impacto das mudanças climáticas já afeta a execução de obras, e é crucial que esse entendimento se reflita nas prioridades do governo, desde o início do planejamento até a execução.

Os investidores também mudaram. Um número crescente de investidores financeiros, com interesses de curto prazo, tomou o lugar de acionistas tradicionais, o que pode afetar a continuidade dos investimentos essenciais. A participação do Estado precisa ser estratégica, especialmente em setores que não atraem o capital privado suficiente.

Os desafios que se apresentam demandam um compromisso claro: a entrega de projetos que atendam às necessidades das comunidades e que resistam ao passar do tempo, independentemente de quem esteja no governo. O discurso sobre infraestrutura deve ser contínuo e engajado.