Dólar supera R$ 5,20: impacto da alta do petróleo e eleições

Dólar supera R$ 5,20: impacto da alta do petróleo e eleições

O dólar iniciou a segunda-feira (28) em alta, acompanhando o avanço da moeda americana ante outras divisas de países emergentes, e investidores reagiram a novos dados da pesquisa eleitoral no Brasil, que impactam suas expectativas sobre o mercado.

Às 9h04, a cotação do dólar à vista apresentava alta moderada de 0,57%, a R$ 5,2099 na venda. Durante o dia, a moeda chegou a atingir R$ 5,2148, refletindo a expectativa dos investidores em relação à situação política e econômica do país.

A segunda-feira também traz uma alta nas cotações do petróleo no exterior, num cenário de impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã. Esta situação ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado um acordo no fim de semana, trazendo incertezas para o mercado internacional.

No mercado global, o movimento de alta do dólar se traduziu na valorização da moeda estadunidense frente a diversas divisas emergentes, como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, refletindo uma tendência generalizada.

Internamente, o cenário de alta do dólar encontra suporte em novos dados da pesquisa BTG/Nexus sobre as eleições. O levantamento aponta uma vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma eventual disputa de segundo turno. Lula registra 46% das intenções de voto, em comparação aos 44% de Flávio. A margem de erro de dois pontos percentuais coloca os dois em empate técnico, refletindo a incerteza do eleitorado.

A percepção de que Lula ainda enfrenta desconfiança por parte de investidores influencia o movimento do dólar. Muitos agentes sentem que a reeleição do presidente pode complicar o controle das contas públicas e exacerbar a inflação, gerando um ambiente de cautela e incertezas. Assim, informações que ampliam a vantagem de Lula tendem a resultar em uma pressão altista sobre o dólar.

O Banco Central divulgou que o Brasil registrou um déficit em transações correntes de US$ 5,055 bilhões em agosto, o que superou a expectativa do mercado, que era de um saldo negativo de US$ 4,9 bilhões. Por outro lado, o investimento direto no Brasil alcançou US$ 7,396 bilhões, superando a expectativa de US$ 6,9 bilhões, o que mostra um certo apetite dos investidores estrangeiros apesar das incertezas políticas.

No boletim Focus publicado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no final deste ano se manteve em R$ 5,20. O relatório também elevou a projeção para a inflação em 2026 de 4,92% para 4,99% e para 2027, de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa Selic permanecem altas, com previsões de 13,50% para este ano e 12,00% para o próximo.

Atualmente, a taxa básica está em 13,75%, refletindo o esforço do Banco Central em controlar a inflação com uma política monetária restritiva. Na última sessão, o dólar à vista fechou com queda de 0,19%, cotado a R$ 5,1834, mas a volatilidade atual reflete as incertezas externas e internas que influenciam o mercado financeiro.

Os próximos dias devem ser observados atentamente pelos investidores. As flutuações do dólar, assim como as variações nos preços do petróleo e os novos dados econômicos, continuarão a impactar as expectativas de mercado. Enquanto isso, o cenário político, especialmente as pesquisas eleitorais e suas repercussões, permanecerão como fatores cruciais para a definição dos rumos do câmbio no Brasil.

*Com informações da Reuters