Na recente entrevista ao CNN Prime Time, Fábio de Sá e Silva, professor da Universidade de Oklahoma, analisou a votação do Conselho de Segurança da ONU sobre a resolução do Bahrein voltada à proteção do transporte comercial no Estreito de Ormuz. O evento, crucial para o fluxo de petróleo na região, não pode ser discutido de forma isolada, segundo ele.
Interdependência entre Conflitos e Resoluções
O professor destacou que é extremamente difícil separar a resolução da questão do Estreito de Ormuz do contexto mais amplo que envolve guerras na região. Ele afirmou: “Meu ponto de vista é que é muito difícil isolar a resolução do problema do Estreito de Ormuz sem tocar nessa guerra e sem, portanto, trazer também para a pauta uma proposta de cessar fogo e de entendimento entre esses países que estão em guerra”.
Desafios do Conselho de Segurança da ONU
Fábio de Sá e Silva expressou sua preocupação com a eficácia da ONU nos últimos anos, citando o artigo escrito por Lula no New York Times que critica a incapacidade do Conselho de Segurança de processar as demandas por paz. “A gente percebe que é um conselho que tem sido incapaz realmente de processar as demandas por segurança, por paz e pela boa convivência das nações no plano internacional”, afirmou.
Papel da China e a Reconfiguração das Relações Internacionais
Em relação à movimentação da China, que tem pedido a continuação das negociações após um certo distanciamento do conflito, o professor avaliou que o país pode estar buscando afirmar sua liderança em um momento de transformação nas relações internacionais. “Acho que nós estamos caminhando aí, muita gente diz, para uma nova configuração das relações internacionais, em que essas grandes potências passam a ter aí um pouco mais de protagonismo”, comentou.
Além disso, a derrubada de um caça americano pelo Irã foi mencionada como um fator que pode aumentar a desconfiança na opinião pública dos EUA sobre a condução da guerra pela administração Trump. “Há uma desconfiança muito grande na opinião pública americana sobre a condução dessa guerra”, concluiu o professor.


