Quando Katherine estava grávida no último Verão, várias pessoas começaram a tocar em sua barriga crescente sem pedir permissão. Em consultas médicas e nas salas de trabalho de parto, parto e recuperação, os profissionais de saúde a chamavam de “mamãe” em vez de usar seu nome. Esses momentos foram os primeiros indicativos de que sua identidade e autonomia estavam sendo desconsideradas, ignorando a mulher incrível que sempre foi: uma amiga, esposa e irmã dedicada, cantora talentosa e fã de teatro.
A desanimadora mudança continuou após o nascimento de sua filha. Katherine expressou ao marido que seu valor parecia ter mudado: “Você é quase empurrada para segundo plano. Minha filha é adorável, e eu quero que todos a amem. Mas ao mesmo tempo, você passa nove meses carregando ela e, de certa forma, sofrendo e toda essa dor durante o trabalho de parto, e depois é tudo sobre o bebê.”
Algumas pessoas até disseram diretamente para Katherine: “Não é mais sobre você”. Durante as visitas, muitas pessoas deixaram de ajudar com as tarefas domésticas porque estavam muito preocupadas com sua filha. “Isso faz você se sentir tipo: ‘Poxa, para que eu estou aqui? Sou apenas um saco de carne que empurra bebês para vocês aproveitarem’”. Para muitas mães, essa invisibilidade após o parto parece ser uma experiência quase universal.
A Invisibilidade após o Parto
A mudança de atenção dos pais para o bebê é um padrão observado nas redes sociais, onde vídeos mostram pessoas ignorando novos pais para focar no recém-nascido. Isso ainda é considerado humorístico, mas, mesmo quando bem-intencionados, esses comportamentos podem ser dolorosos e prejudiciais à saúde mental dos pais. Siobhán Alvarez-Borland, uma doula pós-parto, afirma que os impactos desse “apagamento” não são discutidos o suficiente em nossa sociedade. A conscientização sobre como nossos comportamentos podem contribuir para a invisibilidade materna é crucial para apoiar novos pais.
Os Comportamentos que Atraem Ignorância
Esses comportamentos são impulsionados pela falta de discussões sobre a experiência da maternidade, em parte devido ao medo das mães de serem vistas negativamente ao expressarem suas mágoas. Muitas mães se sentem compelidas a superar suas tristezas, especialmente em momentos tão vulneráveis. Os preconceitos presentes nas interações sociais muitas vezes refletem normas patriarcais que desvalorizam as mulheres e as colocam em segundo plano ao se tornar mães.
Esta desvalorização se manifesta até na forma como os profissionais de saúde se dirigem às mães, muitas vezes apenas como “mãe”, enquanto os pais são elogiados pela participação, o que acentua ainda mais a sensação de invisibilidade que as mulheres experimentam após o parto. Esses valores distorcidos na sociedade reforçam a ideia de que a maternidade é esperada e devem ser suportadas sem reclamação.
Como Apoiar as Novas Mães
Para ajudar novos pais, é fundamental que amigos e familiares ofereçam suporte que vá além da interação com o bebê. Ações como ajudar nas tarefas domésticas, preparar uma refeição ou simplesmente perguntar como a mãe está, são gestos que podem fazer uma grande diferença. Demonstrar interesse real pelo bem-estar da mãe e não apenas pelo bebê é essencial para ajudá-las a se sentirem valorizadas e apoiadas.
Chemos a atenção para a nova mãe, validando suas experiências e oferecendo apoio contínuo mesmo após os primeiros meses de vida do bebê. Manter uma conexão forte e respeitar a jornada emocional das mães é crucial para ajudá-las a superar essa fase desafiadora da maternidade.
