Com uma estratégia focada na conexão de regiões isoladas, a Vinci Airports opera sete aeroportos na Amazônia, incluindo Manaus, Tefé e Porto Velho. Esses aeroportos são essenciais para o desenvolvimento da aviação no Norte do Brasil, uma região marcada por desafios logísticos e de infraestrutura. A empresa acredita que programas de incentivo, como as linhas de crédito do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) e benefícios estaduais, são fundamentais para expandir a malha aérea na região.
A Vinci Airports conquistou a operação na Amazônia ao vencer o leilão do governo federal em 2021 e iniciou suas atividades em janeiro de 2022. O Bloco Norte, que abrange quatro capitais – Manaus, Porto Velho, Boa Vista e Rio Branco – e três aeroportos regionais, é onde a concessionária aposta na evolução do transporte aéreo.
Recentemente, as aéreas Azul, Gol, Latam e Abaeté Linhas Aéreas solicitaram acesso às linhas de crédito do FNAC, com a condição de aumentar sua participação na Amazônia Legal e no Nordeste. De acordo com o compromisso, deveriam elevar em 15% a quantidade de frequências operadas nessas regiões, em relação ao ano anterior. Kleyton Mendes, CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, qualificou essa proposta como crucial para o avanço da aviação regional.
No fim, todo mundo tem o mesmo objetivo: aumentar a malha aérea. O Brasil é um país continental, com características muito específicas, e esse tipo de desenvolvimento é fundamental.
Kleyton Mendes, CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, integrante da rede VINCI Airports
A Vinci Airports destaca-se não só no transporte de passageiros, mas também na movimentação de cargas. Em 2025, o Aeroporto de Manaus movimentou 133 mil toneladas de carga, sendo que cerca de 60% desse total é oriundo da Zona Franca. No que diz respeito ao transporte de passageiros, a ocupação média dos voos ultrapassa 90%, resultado da dependência da população local pelo transporte aéreo, uma vez que a oferta de transporte terrestre é limitada.
Municípios como Tefé e Tabatinga são exemplos de locais onde apenas a aviação pode garantir acesso à população. O deslocamento por via fluvial ou aérea é a única opção. Kleyton Mendes ressaltou a importância da operação aeromédica e do transporte de produtos essenciais, como alimentos e eletrônicos, que dependem dos voos. “A principal demanda vem da população local, que utiliza os voos para acessar serviços essenciais e para conexões com centros urbanos maiores como Manaus e Rio Branco”, explicou Mendes.
Análise do Mercado Local
No atual cenário de aviação, a expectativa é que a demanda se mantenha estável, apesar das flutuações do preço do querosene de aviação (QAV). O CEO da Vinci projeta um pequeno recuo de cerca de 1% na oferta total de assentos até o fim do semestre, à luz das incertezas geopolíticas, incluindo conflitos no Oriente Médio.
Os desafios operacionais enfrentados pela concessionária incluem não apenas a criação de uma malha regional que se integre à malha nacional, mas também a necessidade de oferecer serviços essenciais nos aeroportos menores. Mendes apontou que cada aeroporto possui suas particularidades, com Tefé e Tabatinga focados em atender uma demanda minuciosa. Atualmente, a Azul é a principal operadora no mercado regional, beneficiada pela sua frota diversificada, que inclui aviões menores, como o Cessna Caravan e o ATR-72, que conseguem acessar destinos remotos que não são servidos por outras companhias.
O mercado continua em transformação, com a LATAM também buscando expandir sua presença na região. A companhia está programada para receber seus primeiros aviões do modelo Embraer E2, o que deve ampliar suas operações. As novas rotas que surgirão com a chegada desses aviões devem ser anunciadas futuramente, prometendo um aumento na capacidade de oferta de voos na Amazônia.
Implicações para o Futuro da Aviação Amazônica
O futuro da aviação na Amazônia parece promissor, com a Vinci Airports e as companhias aéreas buscando constantemente soluções para atender às necessidades específicas da região. Programas de incentivos financeiros e a evolução nas operações aéreas são as chaves para um desenvolvimento sustentável e que beneficie a população local.
Além disso, a melhoria na logística de cargas e o aumento da frequência de voos são passos vitais para combater o isolamento de várias comunidades amazônicas. A necessidade de um transporte aéreo robusto, que possa interligar as cidades e facilitar o transporte de bens essenciais, é um tema central nas discussões sobre as perspectivas do setor.
Com a continuidade dos investimentos e a melhoria das condições de operação, espera-se que a aviação na Amazônia não só atenda às demandas emergenciais, mas também contribua para o desenvolvimento econômico e social da região, fortalecendo as conexões necessárias para um futuro mais integrado e acessível.


