Uma pesquisa aponta que a percepção da saúde no Brasil é otimista. Entre os entrevistados, 59% avaliam a própria saúde como ótima ou boa, refletindo uma visão positiva sobre seu bem-estar. No entanto, esse sentimento é contrastado por dados preocupantes que revelam um quadro mais crítico.
Embora muitos se sintam saudáveis, 63% dos participantes estão acima do peso. Dentre eles, 37% apresentam sobrepeso e 26% estão classificados como obesos. Além disso, 42% dos entrevistados afirmam não praticar atividade física regularmente. Para aqueles que se exercitam, a média de frequência é de apenas 2,4 dias por semana, o que sugere um sedentarismo predominante na população.
Por outro lado, dois terços dos entrevistados, 66%, consomem alimentos frescos como frutas, verduras, legumes, ovos e carnes, pelo menos seis dias por semana. No entanto, alimentos ultraprocessados, doces e frituras são consumidos em média, cerca de dois dias por semana. Essa discrepância entre a percepção e a realidade alimentar é alarmante.
Desafios na alimentação saudável
As justificativas para a dificuldade em manter uma dieta equilibrada são variadas. Entre os entrevistados, 29% citam o preço elevado dos alimentos saudáveis como um impedimento. Além disso, 21% mencionam a falta de tempo como uma barreira significativa para a preparação de refeições nutritivas.
A relação entre renda e alimentação saudável também é evidenciada na pesquisa. Quanto menor a faixa salarial, menor a presença de alimentos nutritivos na dieta. Entre os que recebem até um salário mínimo, apenas 40% conseguem manter uma alimentação saudável. Para aqueles com rendimento de até cinco salários mínimos, esse número cai drasticamente para 10%. Nesse grupo, outros 39% destacam a falta de tempo como um obstáculo adicional.
Percepção versus realidade de saúde
O Dr. Victor Piana, patologista e CEO do A.C.Camargo Cancer Center, alerta: “A pesquisa mostra que o maior risco do brasileiro, portanto, não está no que ele sente, e sim no que ele não percebe. Excesso de peso, sedentarismo, cigarro e álcool são fatores de risco que se instalam silenciosamente na rotina.” Isso demonstra uma falsa sensação de saúde que pode trazer consequências graves no futuro.
Embora muitos brasileiros acreditem estar vivendo uma vida saudável, na verdade, estão acumulando diversos fatores que podem ter um custo alto do ponto de vista oncológico. A pesquisa revela que essa desconexão pode ser prejudicial.
Consumo de álcool e saúde
Em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, 58% da população afirma não beber. Outros 30% relatam consumir álcool de um a dois dias por semana, enquanto 5% dizem beber de cinco a sete dias. Essa distribuição revela uma variação nos hábitos de consumo de álcool.
Notavelmente, entre os consumidores de bebidas alcoólicas, aqueles que mais bebem são também os que consideram sua saúde em melhores condições. Este fenômeno é observado com 64% de percepção de saúde entre quem consome álcool de cinco a sete dias por semana, em comparação a 58% entre os abstêmios. Essa relação indica que a percepção de bem-estar pode estar distorcida nas populações que consomem álcool regularmente.
*Sob supervisão de Thiago Félix



