A guerra no Oriente Médio tem causado uma agitação significativa no setor de petróleo, provocando aumento nos preços e uma possível escassez do recurso. Nesse cenário, a Rússia se apresenta como uma alternativa para fornecedores como a China, conforme apontou o professor de Relações Internacionais, Alexandre Coelho, em entrevista à CNN Brasil.
“A Rússia, que ainda é um grande produtor de petróleo, pode se beneficiar, visto que os preços estão subindo e a oferta está diminuindo. A China pode olhar para a Rússia como uma fonte de suprimento”, explicou Coelho, que destacou a recente alta no preço do barril de petróleo, que chegou a 90 dólares, subindo de 80 dólares no início da semana.
Implicações globais do conflito
O especialista analisou os impactos do conflito em diferentes potências. Para a China, que depende do petróleo do Golfo, a crise de fornecimento de energia é uma preocupação crescente. “Apesar das tentativas de diversificar a compra, é difícil substituir a oferta dos países do Golfo”, avaliou Coelho. Neste contexto, ele sugere que a China pode intensificar suas compras de petróleo da Rússia e do Brasil, ambos grandes exportadores.
No caso dos Estados Unidos, Coelho vê uma situação mais complicada. “A insatisfação da população com a guerra já está evidente, e isso pode impactar negativamente a imagem política de Donald Trump. Além disso, a alta no preço do petróleo tende a aumentar o custo de vida nos EUA”, observou, ressaltando que os cidadãos americanos estão se manifestando contra a situação atual.
A Europa e o cenário em evolução
Quanto aos países europeus, o professor destacou que o apoio ao posicionamento dos Estados Unidos foi cauteloso. França, Alemanha e Reino Unido já enviaram recursos para reforçar suas bases militares, especialmente no Chipre, como um passo para mostrar sua relevância no conflito. “A Europa está tentando deixar claro seu papel e a importância de sua presença na região”, comentou.
Coelho também alertou para o risco de uma expansão do conflito além de suas fronteiras originais. O professor enfatizou como a situação pode se espalhar para países vizinhos, incluindo a Turquia, membro da OTAN, o que traz mais complexidade ao cenário geopolítico atual.


