As ações da Raízen enfrentaram uma queda acentuada de mais de 21% nesta quinta-feira (28), após a empresa de açúcar e etanol divulgar os detalhes de seu plano de recuperação extrajudicial em andamento com os credores financeiros. Esta recuperação envolve a taxa de conversão de R$ 0,25 por ação para injeção de capital, gerando preocupações significativas no mercado.
Às 13h44, os papéis da Raízen, uma joint venture entre a Shell e a Cosan, estavam em baixa de 19,05%, cotados a R$ 0,34, atingindo uma mínima de R$ 0,33. Essa movimentação no mercado ocorre mesmo com uma parte das informações sendo divulgadas previamente na mídia.
Dívida Total e Detalhes do Plano de Recuperação
No material divulgado, chamado de “blowout”, a Raízen revelou que sua dívida total é de R$ 75,35 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões estão sob o escopo da recuperação extrajudicial. Essa situação financeira crítica da Raízen vem chamando a atenção de analistas e investidores, que agora monitoram de perto as implicações da reestruturação proposta.
Os termos do plano de reestruturação incluem um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell a R$ 0,25 por ação no fechamento do processo. Além disso, a operação prevê uma potencial participação de R$ 500 milhões por um veículo controlado pela Aguassanta Investimentos, de Rubens Ometto, controlador da Cosan. A reestruturação também prevê a emissão de ações ordinárias como parte do processo de recuperação.
Divisão das Operações e Supervisão dos Credores
Uma mudança significativa proposta no plano é a cisão da Raízen em duas entidades: Raízen Energia e Raízen Combustíveis, a ser implementada após o fechamento da operação. Para que isso ocorra, é necessário que os envolvidos cheguem a um acordo sobre a venda de ativos estratégicos, como usinas de geração de energia e outros ativos não estratégicos.
Segundo analistas do UBS BB, uma das principais novidades é a taxa de conversão de R$ 0,25 por ação que visa a injeção de capital e a conversão da dívida. Essa estrutura resultaria em os credores possuírem cerca de 83% da empresa após a reestruturação, o que corresponde a 72% das ações ordinárias.
Opções de Pagamento para Credores
O plano oferece diferentes opções para os credores em relação ao pagamento da dívida reestruturada. Na Opção A, 45% da dívida será convertida a R$ 0,25 por ação, no formato de units, que incluem uma ação ON e uma ação PN. Os 55% restantes serão convertidos em novos instrumentos de dívida, que serão alocados entre as duas entidades resultantes da cisão.
Na Opção B, a dívida será convertida em títulos emitidos pela Raízen Energia, com um desconto significativo de 80%, e previsão de vencimento para 2047. Já na Opção C, os credores poderão optar pelo recebimento em dinheiro, equivalente ao menor montante entre 75% do que é devido e R$ 9.750,00, limitado a um total de R$ 150 milhões.
Governança e Estrutura do Conselho de Administração
Quanto à governança, a atual administração da Raízen permanece no comando, mas os credores terão a capacidade de supervisionar a gestão, incluindo um poder de veto limitado a questões relevantes. Isso sugere uma nova dinâmica nas operações da empresa, na qual os credores terão um papel mais ativo na supervisão.
Após a conclusão da reestruturação, o conselho de administração será redesenhado para incluir sete membros, sendo quatro indicados pelos credores apoiadores e três pelos acionistas investidores. Essa estrutura visa garantir uma gestão mais equilibrada e com a participação efetiva dos credores no futuro da Raízen.
A situação da Raízen reflete não apenas os desafios enfrentados pela empresa, mas também as expectativas do mercado sobre o futuro das operações de energia e combustíveis no Brasil, em um cenário de transformações econômicas e financeiras. A atenção dos investidores e analistas continua a ser crucial para entender como essa reestruturação se desenrolará.

